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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O homem português e as estrangeiras

"...Palma voltou-se para Eusébio, e deu-lhe conselhos muito sérios sobre
os sistema de tratar espanholas. era necessário levá-las por bons modos;
por isso é que elas se pelavam por portugueses, porque lá em Espanha era
à bordoada..."
Eça de Queirós in "Os Maias"- 1888

Este texto é de uma actualidade flagrante. Hoje em dia é o que mais se
vê na sociedade portuguesa: Homens portugueses casados ou em
concubinagem com uma senhora estrangeira, muitas vezes depois de
fim de um casamento de muitos anos com com tradição lusitana.
A nacionalidade já não é a espanhola, outras vieram substitui-la. Mas o facto
é que o marido ou o amante português é apreciado fora das fronteiras.
Eça confirma-nos que afinal já e assim há séculos.
Seria no entanto interessante saber o que pensam as nossas lusitanas
disto tudo. Se calhar elas próprias se perguntam onde andam essas pérolas
raras, já que até agora a maioria delas ainda não lhes viu a ponta do bigode.

sábado, 13 de março de 2010

Os Maias- Carlos e Maria Eduarda

Só o título desta mensagem já terá feito ranger os dentes a alguns
de vós; Lembranças desagradáveis de liceu, testes, exames, horas
a fio a remoer a mesma página com o pensamento: "Ainda falta ler
isto tudo?" Certos livros têm de ser lidos já depois do tempo de
estudante, já com mais maturidade, com com calma e sem essa
obrigação que no adolescente funciona como um repelente ao que
se lhe põe à frente. Os Maias é uma dessas obras que merece ser
relidas. O argumento, se se retirar as figuras de estilo, o contexto
histórico, o talento de narração, até podia ser o guião para uma
telenovela barata sobre amores e incesto. Felizmente Os Maias
são dois calhamaços magistralmente escritos com uma centelha
de génio. Se retiramos a penas a um pavão o que fica no final?
Um galináceo. No entanto são esses ornamentos que lhe dão
aquele panache, aquele andar emproado, aquelas poses de
fidalguia.
Faça o teste do pavão à esplanada dum café. Escolha uma
garota especialmente vistosa e garrida. Retire-lhe (mentalmente!)
a tinta da cabeça, o blush, o rímel, os saltos altos, os collants,
os berloques de bijuteria, devolva-lhe o buço discreto etc...
O que fica? Se a imaginar com um vestido preto e o cabelo
apanhado terá a surpresa de voltar a "ver" uma moça de aldeia
simples e acanhada como nas fotos dos nossos avós.
E que giras que eram as nossas labregas de antigamente!